Mais um treino do Benfica (contra o pior Basileia de sempre) num estádio onde o campeão nacional perdeu 5-0 em 2017, outro facto que o comentador, com o agrado evidente, não deixou de relembrar. Maior atenção para as caras novas, com natural relevo para o «jogador de 35 anos que esta época regressou ao Benfica», a «mais cara contratação de sempre do futebol português» e para o «lateral mais oneroso da história do SLB». Com Otamendi a recuperar de lesão contraída ao serviço da selecção campeã do mundo, e Aursnes (olá sr. capitão) e João Neves a actuarem só na segunda parte, coube ao «jogador de 35 anos que esta época regressou ao Benfica» participar em todos os golos do campeão nacional, deixando para o «lateral mais oneroso da história do Benfica» o Tomahawk que espetou - «longe vão os tempos em que o Basel dominava o Benfica e a liga Suíça» - na baliza de Marwin Hitz, encerrando aos 40 minutos as contas do Benfica. Alexander Bah, com duas recuperações na origem dos dois primeiros golos e um lançamento milimétrico da linha lateral para Di Maria no terceiro, foi dos poucos com direito a ser tratado pelo nome. Florentino Luís, sem eu perceber bem porquê, continua a jogar com 8 tentáculos e 3 corações, não cospe nem dá coices em ninguém e, mesmo assim, Roger Schmidt continua a confiar nele!
Odisseas, a cada remate dos adversários, tem sempre os verdadeiros "verdadeiros" e o Bento a empurrá-lo pelas costas, e «os nórdicos», definitivamente, não caíram nas boas graças dos especialistas da especialidade. Tengstedt, longe da classe de Gyokeres, teve um apontamento de craque (enganou-se num desvio subtil para a baliza) que o guarda-redes contrário (melhor Diogo Costa em campo) parou com uma excelente intervenção. Schjelderup não será um novo Gelson Garrincha mas, se perder a timidez, quem sabe não está ali um novo Jovane. Adiante. Ristic, na época passada tratado como um móvel, nunca teve tanto Grimaldo no nome como agora e João Mário, com pezinhos de lã e as pinceladas de classe que Schmidt tanto gosta, palpita-me que vai levar outra vez com os especialistas da especialidade. Usar o cérebro em vez das patas e dos cotovelos faz confusão a muita gente. O turco, que à vezes também é Kökçü nas raríssimas intervenções em que não se chama a «mais cara contratação de sempre do futebol português», só vai calar a matilha anti-Benfica no dia em que bater o recorde de transferências na posse de Uribe, Mbemba, Marega, Marcano, Brahimi, Herrera e Aboubakar.
Gonçalo Ramos, o ponta de lança com a mania que é craque (até mudou para o nº 9!) recuperou a tempo de molhar a sopa com enganosa simplicidade e António Silva, aos 19 anos, parte para a nova temporada com estatuto de intocável. O mesmo que Morato já teria (calma puto que a tua hora vai chegar) não fosse esse pequeno pormaior da tremenda mais valia de Otamendi. O comendador Rafa, sempre com os vassalos do Rónalde agarrados às canelas, continua sem poder dar um peido sem levar pancada dos adversários e dos especialistas da especialidade. Encarnados para aqui encarnados para ali, nenhuma referência ao campeão nacional, o que não deixa de ser (extra)ordinário se nos lembrarmos das últimas 3 temporadas onde o adjetivo «campeão nacional» foi repetido até cheirar a alho.
Que barbaridade. Mais de vinte mil espectadores no St. Jakob-Park! Eu, se estivesse no lugar de sapos e clube das putas, arranjava maneira de proibir o Benfica de transportar o estádio da Luz para os mais diversos pontos do universo. Depois de ver a multidão (de 5 sapos) à espera de Gyokeres ainda mais reforcei a minha ideia. Há-de haver qualquer coisa - quem sabe se uma outra visita do primeiro ministro àjantas para o beija mão ao clube das putas, colocar em Lisboa um bispo auxiliar do foculporto ou perdoar mais 190M€ de VCMOC à saparia - que impeça o Benfica de levar para todo lado essa inaceitável mais valia. Por mim, se não for possível acabar com o abuso, há que copiar a liga portuguesa que impede os adeptos de entrarem nos estádios com adereços do Benfica e obrigar a sporttv, como tão bem sabe fazer, a esconder os cânticos dos benfiquistas e mostrar apenas os insultos da meia dúzia de adversários arruaceiros. Não é só com a distribuição dos direitos televisivos que se deve nivelar por baixo o campeonato. No número de apoiantes também é preciso acabar com o ignóbil poderio do SLB. Seria mau para a modalidade que quem chegasse a Basileia, vindo da Cochinchina, ficasse a pensar que o Benfica estava a jogar em casa. Nas gestão da massa humana também tem de haver equidade. Vamos a isso, Proença?
De noite dei uma espeitadela à TV canalhadas. Tinha a curiosidade mórbida de saber quantas vezes os 35 anos do «jogador que esta época regressou ao Benfica» iriam ser referenciados. Cedo perdi a conta e só consegui aguentar até ouvir o lagarto Nuno Dias afirmar, com o aval (todos abanaram a cornadura em sinal de concordância) dos restantes paineleiros, que Orkun Kökçü, apesar de não ser desajeitado de todo, falha muitos passes. Foda-se! Logo eu que ia escrever precisamente o contrário! Que o bom do Kökçü raramente, apesar de arriscar muito, falha um passe! Desisti, coberto de vergonha, e agarrei-me à Netflix para esquecer. Quando começas a pensar que percebes alguma coisa desta merda vem um especialista da especialidade e mete-te a um canto com a sua analítica sagacidade.






