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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Mais barbaridades.

Por José Albuquerque

Estava para escrever um último texto a propósito da saída do Garay e na sequência de um comentário do Companheiro Maddox, mas estive a aguardar mais assunto, uma vez que este tema não era nem suficiente nem suficientemente urgente. Acontece que tive a (triste) sorte de acabar de receber mais um correio de alerta para algumas barbaridades publicadas, facto que tornou oportuno voltar a escrever.

Ainda o “caso” Garay.

Não querendo repetir o tanto que já escrevi sobre este dossier, não posso, nem devo, deixar de sublinhar que, neste momento, a Nossa SAD não podia fazer nada para impedir a partida do atleta, nem para discutir o valor da indemnização a receber: notem bem que prefiro a expressão “indemnização a receber” do que escrever algo como “valor do negócio”, coerentemente com tudo o que, antes, já expressei sobre este tema.

Repetindo apenas o que é relevante e pertinente, aproveitando o que o Enorme Maddox confirmou, voluntariamente, depois de pesquisar o actual Regulamento de Transferências, ao Garay bastava escrever uma carta a denunciar, unilateralmente e sem alegar nenhuma causa, justa ou injusta, o seu contrato, para poder negociar contrato com o clube que preferisse.
Ao Benfica apenas competia aceitar e tentar negociar com esse clube uma compensação financeira, sabendo-se que, caso não houvesse acordo, seria o TAS a determinar esse valor. Acresce que, detendo apenas 40% do passe do atleta, o Benfica só poderia tentar uma tal arbitragem no caso dos detentores (Real Madrid e BSF) dos restantes 60% dos “direitos económicos” não quererem aceitar a proposta de indemnização do clube comprador, sob pena do Benfica ficar sem os direitos de inscrição desportiva, sem nenhuma indemnização e com os mesmos 40% dos direitos económicos, cujo valor só seria real no caso de o Garay vir a ser “vendido” pelo seu novo clube.

Se alguém ficou com alguma dúvida, manifeste-a na caixa de comentários.

Se me perguntarem qual a minha opinião sobre este tema e além de vos convidar a ler os dois textos já publicados, eu volto a escrever que, em síntese:

. a SAD nunca deve “negociar” com os seus Atletas o eventual adiamento de uma por eles desejada saída, nem nos casos (como o do Matic) em que o Atleta aceite renovar o contrato, mantendo-o, assim, em “período de protecção” e muitíssimo menos quando o Atleta não aceita renovar e, por isso, fica com o contrato “desprotegido”; e
. a SAD, enquanto se mantiver a actual debilidade dos Capitais Próprios do Grupo Benfica, nunca deve recusar bons “negócios” sobre passes de Atletas, por fazer prevalecer o critério dos objectivos desportivos (mesmo que o “sonho” fosse uma final da Liga dos Campeões a disputar na Nossa Catedral).

E é por isto mesmo que faz todo o sentido a SAD manter contratos com Atletas “em número excessivo”, por forma a garantir que tem sempre um “Manel” preparado para substituir quem quiser sair.

O BES e o Benfica Stars Fundo.

Eu já expliquei quais os motivos pelos quais a “crise” no BES em nada pode e/ou vai afectar a Gestão do Grupo Benfica, mas há quem insista em escrever colossais barbaridades sobre este tema, no intuito de alimentar especulações cujos objectivos conhecemos de ginjeira.

Fala-se que a UEFA pensa seguir o exemplo da Federação Inglesa, impedindo que os direitos económicos dos atletas possam ser partilhados entre clubes de futebol e outras entidades, o que, na minha humilde opinião, é mais uma “batalha contra moinhos de vento” que só vai prejudicar o Futebol, porque vai afastar os Investidores sérios (como os que estão no BSF), sem eliminar os especuladores (como os “offshoras, doyens e etecetras”, prejudicando os clubes cumpridores em detrimento dos que preferirem “ser marotos”.

Quem tiver questões sobre esta minha opinião, já sabe: caixa de comentários, ahahah.

Seja como for, uma coisa temos de saber e com 100% de certeza absoluta: nunca um novo regulamento nesta área poderia ter efeitos retroactivos!

Ora aqueles a quem me referi mais acima, tratam de omitir este ponto crucial, a ver se confundem os mais crédulos (e mais anti Vieira, ahahah) e, não contentes com isso, até garantem que o Presidente “prometeu” nesta última AG que a SAD ia recomprar as partes de passes já vendidas ao BSF, para poder “acabar com o Fundo”.

Ora bem e em primeiro lugar (eu não estive na AG, mas estiveram lá os meus dois rapazes) é falsa essa alegada “promessa” do Presidente (esta como tantas outras que o acusam de não cumprir) e ainda que ele, enlouquecido, a tivesse feito, há que compreender que tal só seria possível com o acordo dos outros investidores e compensando a Entidade Gestora do Fundo (o BES), coisa que seria um completo absurdo e completamente incoerente com o facto de a SAD continuar a fazer “negócios” com o BSF todos os anos (os mais recentes foram o Duricic e o Sulejmani).

Em segundo lugar, os inventores de tal barbaridade justificam-na com “as dificuldades do BES”, como se esse Banco fosse um participante no BSF, quando acontece que o BES não tem nem um cêntimo no BSF, nem poderia ter, pelo menos legalmente, uma vez que é a sua Entidade Gestora.

Ou seja e em síntese: (a) mentem ao anunciar a “noticia”, (b) omitem factos para justificar a sua “necessidade” (inexistente) e (c) esbardalham-se ao comprido em resultado de uma ignorância confrangedora.
Querem saber porque razão e com que objectivo?
Perguntem-lhes!

A osgalhada, as cláusulas e os prazos dos contratos.

Há muito tempo que eu ando a evitar escrever sobre a osgalhada, depois de ter afirmado que se trata de um clubeco completa e irreversivelmente falido (passei a designar o clube que herdou os activos e os passivos como o ChportAng Millennium do Espirito Santo), cuja autorização para continuar a competir com clubes “normais” constitui um insuportável atentado a tudo que tenha a ver com Verdade Desportiva e cuja eventual participação nas provas da UEFA desta próxima época seria a prova final de que o “Fair Play Financeiro” não passa de uma anedota.

Ando a evitar e vou tentar continuar a evitar, mas não posso evitar apontar o meu dedo acusador a uma nojenta mérdia nacional que, tendo obrigação de saber tudo isto (e muito mais, que eu não sei), se verga a um silêncio vergonhoso, a ver se consegue manter um líder de uma claque que lhes propicia boas parangonas. Simultaneamente, não posso deixar de perguntar por onde andam os poucos Sportinguistas que ainda existem, uma elite que pode sentir-se em extinção, mas que não pode deixar de combater a demagogia podre instalada.

Bem sei que não tem nenhuma relevância, mas acabo de ver (na rtporcos) mais um intolerável exemplo deste cenário surreal, numa “noticia” sobre a contratação de um jovem futebolista escocês de 18 anos, com o qual terão assinado um contrato de … 6 anos!

A ter acontecido, trata-se de um contrato absolutamente ilegal e, por isso, inválido perante a LPFP, a FPF e a UEFA, uma vez que os regulamentos proíbem que jovens assinem contratos de longa duração (mais de 3 anos) antes dos 20 anos. Vergonhosamente e depois do “caso bruma”, todos os Jornalistas desportivos sabem perfeitamente disto, mas … preferem validar esta escandalosa demagogia com a sua própria cumplicidade.

Viva o Benfica!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Vamos lá a ter calma faz favor.

Não há muitos dias, em conversa com o meu mano Guachos, dizia-me ele em resposta a um comentário em que eu lhe afirmava não acreditar nos números demasiado optimistas (20 milhões) que se falavam sobre a inevitável venda de Garay... - Quaisquer que sejam os números, será sempre melhor do que não receber nenhum, que é o que acontecerá brevemente...e ainda se poupam os salários (4/5 milhões por época, contando com a carga fiscal) que o Benfica lhe paga. Palavras sábias - as do mano Guachos.

Por isso, e para que conste, nunca pensei, mesmo numa perspectiva optimista que Garay se tornasse num excelente negócio para o Benfica; por muitas e variadas razões, a maior delas a sua vontade de sair, e porque nunca aceitou renovar com o Benfica. 
Como sempre afirmei; o Benfica não tem chances de competir financeiramente com os tubarões europeus, mediante as propostas mirabolantes que fazem aos jogadores. Sair para ir ganhar 5 milhões livres de impostos, mais quase outro tanto em extras, até eu ia a correr....e cagava bem alto para quem me chamasse peseteiro. 

O que eu nunca faria com o Benfica, mas aí vem ao de cima o meu benfiquismo, seria uma birra para sair, como parece ser possível que Garay tenha feito, assim como noutros tempos o terão feito, Tiago, David Luiz, Coentrão, Matic...
Sejamos sérios; ou o Benfica encostava Garay, solução que sou frontalmente contra, vendia o seu passe em saldos, ou em ultimo caso - ficava com um jogador em sub-rendimento até ao final do contrato....

6 milhões por 40% do passe seria um negócio, dentro das condicionantes, bastante razoável e perfeitamente 'encaixável' pelos adeptos mais radicais. 6 milhões no total é uma merda, qualquer que seja o ângulo de visão. É uma merda inevitável, sem qualquer alternativa razoável, mas não deixa de ser uma merda. Isto sem prejuízo de não estar na posse de todos os dados - como se tornou evidente no meu post anterior...
Hipoteticamente - havia uma outra solução, ainda que não passasse de uma solução absurda e irrealista; pagar a Garay o mesmo, ou algo de semelhante, ao que o Zenit lhe irá pagar; uma tolice que nem vou comentar.

O que me incomoda deste negócio, como já se percebeu, não é o negócio em si mesmo: mais milhão menos milhão, avaliando todas as condicionantes de forma honesta, não seria por aí que o Benfica, ou Vieira, perderiam a sua credibilidade. Nem sempre se conseguem fazer bons negócios e Garay fora contratado como mais valia desportiva, com poucas chances de se tornar numa grande venda no futuro. Ninguém se esqueça que chegou ao Benfica, dispensado por Mourinho, como contra-peso (este sim um fantástico negócio) de Di Maria...

O que me incomoda são os dois comunicados da SAD - intervalados por menos de 24 horas! 
Foda-se! O Benfica não é servido por amadores! A SAD, que eu saiba, é gerida por profissionais de grande competência, muito bem remunerados, e ninguém anda por lá a brincar aos comunicados.
Se só existisse o segundo comunicado, o negócio seria sempre alvo de criticas, (são todos) mas jamais daria aso a tanta especulação...na internet...
Blogs e redes sociais, onde, como é sabido, habitam os maiores especialistas nas diversas áreas da sociedade, fizeram o seu papel, onde, cada um à sua maneira; bateram ou defenderam os números da 'venda' de Garay de forma sempre apaixonada. Muita gente se deixou chamuscar e eu fui um dos que saiu do assunto a fumegar...

As especulações sobre este negócio, por enquanto (estranhamente) apenas acontecem na blogosfera e nas redes sociais, que apontam sobretudo para um embuste do Benfica ao Real Madrid!
Não acredito, e mesmo correndo o risco de falhar nesta minha previsão, como falhei anteriormente, digo claramente que não acredito neste cenário. De forma simples e directa; não acredito que o Benfica tentasse passar a perna ao Real Madrid.

Não vos intriga este silencio (quase) total que paira na cs? - nem a selecção de Ronaldo, em plena ressaca do mundial, o justificaria. Como é possível este silencio, num assunto que parece ter tanto por onde especular? se houvesse matéria por onde pegar - estariam tão calados os junta-letras?

Não acredito que o Benfica tenha vendido Garay sem antes falar com o Real. Não posso acreditar nisso, e não posso acreditar que o Real Madrid se deixasse comer assim facilmente. O Benfica vendeu Garay com o conhecimento do Real Madrid. Não vejo outro cenário e não me passa pela cabeça que se o Real Madrid quisesse ficar com Garay, exercendo os seus direitos contratuais, a sua autoridade e força negocial, não ficasse com o jogador. Não há ninguém que troque o frio da Rússia pelo calor e glamour de Madrid, ainda para mais, e, como é sabido, a mulher de Garay trabalha na capital espanhola. Ninguém troca o Zenit pelo Real Madrid!

Assim como acredito nisso, também acredito que o Benfica, embora lhe seja exigido um comportamento sempre sério e honesto, também não se pode comportar como um menino de coro, num mundo onde a trapaça e as negociatas por baixo da mesa proliferam. 

Não me venham com tretas; o Benfica tem de ser sério, mas não tem que ser anjinho. No mundo dos grandes negócios e da alta finança, é fácil desaparecem 5 ou 6 mil milhões de euros e ninguém é culpado e também ninguém vai preso. Por isso - se o Benfica, para sobreviver neste mundo, tiver que ser romano em terras de Roma, pois que o seja; com competência.
Dos fracos não reza a história e dos anjinhos ainda menos...

Não aceito nenhum negocio à margem da lei; no Benfica ou noutro lado qualquer...
Agora...como estamos todos 'parrecos' de saber; as leis 'não' foram feitas para serem cumpridas; as leis 'foram' feitas para que os mais espertos as saibam contornar!

Pois se temos um primeiro ministro que, mesmo jurando cumprir e fazer cumprir a constituição da republica, faz de conta que ela não existe, atropelando-a continuamente nos seus princípios mais básicos, e mesmo assim continua em plenas funções governativas, com o beneplácito de todo o país, comunicação social, blogosfera e redes sociais incluídas, porque caralho de razões iria eu pedir a demissão do nosso presidente, baseado em suspeições blogosfericas...ou outras? 

Vamos lá a ter calma se faz favor.

Ps; não tenho a pretensão de estar sempre certo e sei que não há verdades absolutas. Sei que a minha verdade pode ser sempre diferente da vossa. O que combato neste blog não são opiniões. O que combato neste blog é o terrorismo cibernético, que ataca os princípios que defendo e que não abdico; «tudo pelo Benfica - nada contra o Benfica».
Tenho pena que alguns não o compreendam.

Nestes dois dias fui visitado por muitos, ufanos com o meu erro (assumido) na defesa do que pensava ser correcto.
Eu fiquei triste (muito triste) por errar. Não por mim, que tão pouca importância tenho. Fiquei triste pelo Benfica, que demonstrou que as debilidades (tremenda inabilidade comunicacional) que eu desde sempre lhe aponto, continuam longe de estar corrigidas. Uma pena bem maior.