Por José Albuquerque
Estava para escrever um último texto a propósito da
saída do Garay e na sequência de um comentário do Companheiro Maddox, mas
estive a aguardar mais assunto, uma vez que este tema não era nem suficiente
nem suficientemente urgente. Acontece que tive a (triste) sorte de acabar de
receber mais um correio de alerta para algumas barbaridades publicadas, facto
que tornou oportuno voltar a escrever.
Ainda o “caso” Garay.
Não querendo repetir o tanto que já escrevi sobre
este dossier, não posso, nem devo, deixar de sublinhar que, neste momento, a
Nossa SAD não podia fazer nada para impedir a partida do atleta, nem para
discutir o valor da indemnização a receber: notem bem que prefiro a expressão
“indemnização a receber” do que escrever algo como “valor do negócio”,
coerentemente com tudo o que, antes, já expressei sobre este tema.
Repetindo apenas o que é relevante e pertinente,
aproveitando o que o Enorme Maddox confirmou, voluntariamente, depois de
pesquisar o actual Regulamento de Transferências, ao Garay bastava escrever uma
carta a denunciar, unilateralmente e sem alegar nenhuma causa, justa ou
injusta, o seu contrato, para poder negociar contrato com o clube que
preferisse.
Ao Benfica apenas competia aceitar e tentar negociar
com esse clube uma compensação financeira, sabendo-se que, caso não houvesse
acordo, seria o TAS a determinar esse valor. Acresce que, detendo apenas 40% do
passe do atleta, o Benfica só poderia tentar uma tal arbitragem no caso dos
detentores (Real Madrid e BSF) dos restantes 60% dos “direitos económicos” não
quererem aceitar a proposta de indemnização do clube comprador, sob pena do
Benfica ficar sem os direitos de inscrição desportiva, sem nenhuma indemnização
e com os mesmos 40% dos direitos económicos, cujo valor só seria real no caso
de o Garay vir a ser “vendido” pelo seu novo clube.
Se alguém ficou com alguma dúvida, manifeste-a na
caixa de comentários.
Se me perguntarem qual a minha opinião sobre este
tema e além de vos convidar a ler os dois textos já publicados, eu volto a
escrever que, em síntese:
. a SAD nunca deve “negociar” com os seus
Atletas o eventual adiamento de uma por eles desejada saída, nem nos casos
(como o do Matic) em que o Atleta aceite renovar o contrato, mantendo-o, assim,
em “período de protecção” e muitíssimo menos quando o Atleta não aceita renovar
e, por isso, fica com o contrato “desprotegido”; e
. a SAD, enquanto se mantiver a actual debilidade dos
Capitais Próprios do Grupo Benfica, nunca deve recusar bons “negócios”
sobre passes de Atletas, por fazer prevalecer o critério dos objectivos
desportivos (mesmo que o “sonho” fosse uma final da Liga dos Campeões a
disputar na Nossa Catedral).
E é por isto mesmo que faz todo o sentido a SAD
manter contratos com Atletas “em número excessivo”, por forma a garantir que
tem sempre um “Manel” preparado para substituir quem quiser sair.
O BES e o Benfica Stars Fundo.
Eu já expliquei quais os motivos pelos quais a
“crise” no BES em nada pode e/ou vai afectar a Gestão do Grupo Benfica, mas há
quem insista em escrever colossais barbaridades sobre este tema, no intuito de
alimentar especulações cujos objectivos conhecemos de ginjeira.
Fala-se que a UEFA pensa seguir o exemplo da
Federação Inglesa, impedindo que os direitos económicos dos atletas possam ser partilhados
entre clubes de futebol e outras entidades, o que, na minha humilde opinião, é
mais uma “batalha contra moinhos de vento” que só vai prejudicar o Futebol,
porque vai afastar os Investidores sérios (como os que estão no BSF), sem
eliminar os especuladores (como os “offshoras, doyens e etecetras”,
prejudicando os clubes cumpridores em detrimento dos que preferirem “ser
marotos”.
Quem tiver questões sobre esta minha opinião, já
sabe: caixa de comentários, ahahah.
Seja como for, uma coisa temos de saber e com 100%
de certeza absoluta: nunca um novo regulamento nesta área poderia ter
efeitos retroactivos!
Ora aqueles a quem me referi mais acima, tratam de
omitir este ponto crucial, a ver se confundem os mais crédulos (e mais anti
Vieira, ahahah) e, não contentes com isso, até garantem que o Presidente
“prometeu” nesta última AG que a SAD ia recomprar as partes de passes já
vendidas ao BSF, para poder “acabar com o Fundo”.
Ora bem e em primeiro lugar (eu não estive na AG,
mas estiveram lá os meus dois rapazes) é falsa essa alegada “promessa” do
Presidente (esta como tantas outras que o acusam de não cumprir) e ainda que
ele, enlouquecido, a tivesse feito, há que compreender que tal só seria
possível com o acordo dos outros investidores e compensando a Entidade Gestora
do Fundo (o BES), coisa que seria um completo absurdo e completamente
incoerente com o facto de a SAD continuar a fazer “negócios” com o BSF todos os
anos (os mais recentes foram o Duricic e o Sulejmani).
Em segundo lugar, os inventores de tal barbaridade
justificam-na com “as dificuldades do BES”, como se esse Banco fosse um
participante no BSF, quando acontece que o BES não tem nem um cêntimo no BSF,
nem poderia ter, pelo menos legalmente, uma vez que é a sua Entidade Gestora.
Ou seja e em síntese: (a) mentem ao anunciar a
“noticia”, (b) omitem factos para justificar a sua “necessidade” (inexistente)
e (c) esbardalham-se ao comprido em resultado de uma ignorância confrangedora.
Querem saber porque razão e com que objectivo?
Perguntem-lhes!
A osgalhada, as cláusulas e os prazos dos
contratos.
Há muito tempo que eu ando a evitar escrever sobre a
osgalhada, depois de ter afirmado que se trata de um clubeco completa e
irreversivelmente falido (passei a designar o clube que herdou os activos e os
passivos como o ChportAng Millennium do Espirito Santo), cuja autorização para
continuar a competir com clubes “normais” constitui um insuportável atentado a
tudo que tenha a ver com Verdade Desportiva e cuja eventual participação nas
provas da UEFA desta próxima época seria a prova final de que o “Fair Play
Financeiro” não passa de uma anedota.
Ando a evitar e vou tentar continuar a evitar, mas
não posso evitar apontar o meu dedo acusador a uma nojenta mérdia nacional que,
tendo obrigação de saber tudo isto (e muito mais, que eu não sei), se verga a
um silêncio vergonhoso, a ver se consegue manter um líder de uma claque que
lhes propicia boas parangonas. Simultaneamente, não posso deixar de perguntar
por onde andam os poucos Sportinguistas que ainda existem, uma elite que pode
sentir-se em extinção, mas que não pode deixar de combater a demagogia podre
instalada.
Bem sei que não tem nenhuma relevância, mas acabo de
ver (na rtporcos) mais um intolerável exemplo deste cenário surreal, numa
“noticia” sobre a contratação de um jovem futebolista escocês de 18 anos, com o
qual terão assinado um contrato de … 6 anos!
A ter acontecido, trata-se de um contrato
absolutamente ilegal e, por isso, inválido perante a LPFP, a FPF e a UEFA, uma
vez que os regulamentos proíbem que jovens assinem contratos de longa duração
(mais de 3 anos) antes dos 20 anos. Vergonhosamente e depois do “caso bruma”,
todos os Jornalistas desportivos sabem perfeitamente disto, mas … preferem
validar esta escandalosa demagogia com a sua própria cumplicidade.
Viva o Benfica!
