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sábado, 10 de agosto de 2013

A “Gestão de Atletas”

Por José Albuquerque

Confesso-me absolutamente incompetente para criticar a actual politica de “Gestão de Atletas” da Nossa SAD, porque há muitos que mal conheço e, em termos específicos, porque não sei o suficiente sobre futebol. Ainda assim e uma vez que me parece estarmos a assistir a uma nova fase neste capitulo da vida da SAD, sinto-me no dever de contribuir com algumas opiniões pessoais.

Antes de mais, para desfazer a “óbvia conclusão” de alguns que qualificam este aparente ‘corrupio’ de entradas e saídas do Plantel como o resultado de um “saque” descarado, perpetrado pelo “orelhas”, com ou sem a conivência dos chamados “empresários”.
Porquê?
Porque sou mais um “carneiro Vieirista”?
Obviamente que não! 

Porque essa “tese” não faz sentido nenhum!
Porque o Accionista maioritário – o S. L. Benfica, tem uns Corpos Sociais compostos por Companheiros que nunca com tal coisa pactuariam!
Porque os restantes Administradores da SAD nunca com tal coisa pactuariam!
Porque o Presidente, um orgulhoso sessentão, não só não tem nenhuma necessidade disso (o seu património familiar basta para várias gerações), como já deu mais que provas insofismáveis de uma seriedade inquestionável!
Porque o Presidente, um orgulhoso Empresário, nunca arriscaria a imagem que já consolidou pela sua dádiva Benfiquista, trocando um lugar já ímpar na Nossa Gloriosa História pela vergonha de um rótulo de criminoso.

Quem defende uma tal tese, num pináculo do absurdo, denota uma quase paralisia intelectual e permite-se aderir a um simplismo comodista, em vez de dar uso aos neurónios e procurar uma explicação inteligente.

Entretanto, os factos obrigam-Nos a pensar …

Primeiro, porque estamos a ver que a SAD, aparentemente, “deixa sair” vários dos jovens produtos da “Fábrica” e alguns outros já não tão jovens. Depois, porque assistimos a contratações de Atletas sem espaço óbvio na Equipa A e, quando admitíamos que elas se destinassem a reforçar a Equipa B, vemos esses Atletas a serem emprestados. Finalmente, porque a desejável integração entre as Equipas A e B, parece sugerir uma alteração na opção tácita de base (vulgo, “plano A”) das Nossas Equipas seniores, para um 4x2x3x1, talvez relegando o 4x4x2 clássico para um estatuto de “plano B” e essa eventual alteração, pode estar a condicionar a tal “Gestão de Atletas” .

Pegando no fio da meada, importa recordar que todas as “compras”, todas as “vendas” e todos os “empréstimos” são a manifestação de uma vontade tripartida: do Atleta e dos compradores e vendedores, ou de quem “empresta” e quem “toma o empréstimo”.
Importa recordar este principio porque é muito frequente ler e/ou ouvir que “vende o X por Y milhões”, ou que “empresta o Z a um clube europeu em que seja titular”, óbvias baboseiras de quem, talvez por excesso de horas a jogar computador, imagina ser ideal o mundo real.
Fazer uma “Gestão de Atletas”, é tudo menos fácil, é tudo menos evidente, especialmente depois da “Lei Bosman”! 

Outro dos primeiros “nós da meada” passa pelo absurdo não só da “janela de mercado”, por ela terminar após o inicio das épocas desportivas, ainda agravado pelo desfasamento no caso do emergente mercado russo, uma situação que, perante a “Lei Bosman”, impossibilita um total controlo sobre a constituição de um plantel a todo e qualquer clube que não esteja entre os dez mais financeiramente poderosos.

Num texto anterior, eu já defendera que o actual modelo de crescimento e desenvolvimento da SAD e digo “defendera”, não no sentido de uma garantia de ser o melhor, mas, apenas, nos termos em que o compreendo.
Por isso, este texto tenta ir um pouco mais longe que o anterior (que recebeu variadíssimos contributos de Companheiros Nossos) na análise ao que temos visto …

As “dispensas”.

A um ritmo surpreendente e que sugere algum relativo “corte com o passado mais recente”, assistimos a uma série de saídas do Plantel, aparentemente sem contrapartida financeira e revelador de que a SAD “deixou de apostar” em alguns ex-atletas:
1 Casos como os dos Migueis, o Vítor e o Rosa; e
2 Casos, muitos, de jovens produtos da “Fábrica”, ainda em idade de “formação” (até aos 23 anos).

Quanto aos Migueis, eu já escrevi que os considero excelentes provas ‘vivas’ de que o Glorioso deve insistir nos seus investimentos na formação: trata-se de dois excelentes profissionais e futebolistas, que já contam com muitas internacionalizações e alguns títulos individuais e colectivos, ou seja: excelentes exemplos, inclusive para os mais jovens que, sonhando tornar-se profissionais, deveriam ter consciência que a esmagadora maioria nunca será, algum dia, candidato a uma “bota de ouro”.
Quanto ao segundo grupo, no qual encontramos muitos campeões e internacionais nos escalões jovens, espero que ainda possam afirmar qualidades que lhes não apareceram precocemente.
Uns e outros, convenhamos, ainda não demonstraram poder estar ao nível que, hoje, já é exigido a um futebolista sénior do Benfica e, assim, creio que deveria ser unânime entre os Benfiquistas (atletas incluídos, se for o caso), que não há que lamentar, em absolutamente nada, as suas saídas do Clube.
Com a excepção do Vítor, que terminou o seu contrato, não sabemos se a SAD mantém alguma parte dos respectivos “direitos económicos” (ou alguma opção de recompra), mas não me repugna admitir nem que sim, nem que não: em nenhum desses exemplos me parece que a SAD deveria ter ido “contra o mercado”, exigindo o que “ele” não reconheceu.

A este propósito, uma vez mais eu insisto na minha convicção segundo a qual os jovens em formação só podem ter condições de evoluir, caso mantenham o estimulo da competição (em campo e, sobretudo, em treino) e, sendo limitado o número  de “vagas” que, nesses termos, o Plantel pode oferecer (em qualquer das duas Equipas seniores), compete aos Técnicos proceder a uma selecção, com as inevitáveis consequências.
E basta de lamechices do tipo “coitado, não teve oportunidades”!
Com tantos anos vividos no Seixal, com milhares de treinos e centenas de desafios, com anos de avaliação atlética (clínica e fisiológica), mal estaríamos se insistíssemos em duvidar dos resultados da avaliação final: podemos, claro, dela discordar, mas não podemos alegar ausência de critérios.

Recordo-lhe, Caro Leitor, que ainda que a SAD seguisse um modelo quase oposto ao actual, exclusivamente centrado nos seus “produtos da Fábrica”, mais tarde ou mais cedo as “vagas” nas Equipas ficam todas preenchidas e, concordemos ou não com os resultados, a inevitável selecção de valores obrigará a “dispensas”.

Os (múltiplos) “empréstimos”.

A um ritmo acrescido mas já não surpreendentemente, sugerindo a confirmação do passado mais recente, verificamos que aumenta o número de Atletas emprestados, sobretudo a clubes no estrangeiro, com contratos que, segundo a mérdia, representam proveitos muito significativos para a SAD, além de constituírem um alargamento das tais “vagas” para que jovens Atletas possam competir e continuar a evoluir.
Em alguns casos (Michel, Farina e Pizzi), os Atletas quase nem vestiram o Manto Sagrado e, quando foram contratados, não pareceram corresponder a necessidades imediatas do Plantel, mas, de uma ou outra forma, conseguimos entender ou a validade económica do negócio, ou o potencial interesse desportivo, ou ambos.
Creio que muitos sabem que, em mandarim, a grafia das palavras “crise” e “oportunidade” é a mesma e, sinceramente, creio que a SAD está, neste aspecto particular da sua gestão, a interpretar na perfeição essa virtualidade: a “crise” colocou muitos clubes numa situação de dificuldade de acesso ao crédito sem o qual ficam limitadas na sua capacidade de reforçar os seus planteis e o Benfica, por não viver esse problema, consegue “alugar-lhes” o que eles não conseguem comprar. 
Melhor ainda, o Benfica consegue atrair Atletas e contratá-los (vejam os exemplos do Farina, por menos dinheiro e do Mora, a custo zero), com base no Nosso prestigio desportivo incontestável e, depois, emprestá-los a clubes que tinham sido recusados, por mais dinheiro.

Corremos o risco de estar a “banalizar” o Nosso Glorioso Emblema, com esta estratégia?
Confesso que não creio, mas não o posso garantir, porque nunca vivi no “meio do futebol” e, por isso, nem humildemente consigo formular uma opinião sobre como pode esta gestão ser olhada pelos outros clubes e agentes desportivos. Mas uma coisa me parece incontestável: trata-se de mais uma forma, absolutamente legal e eticamente inatacável, de “acrescentar valor” e … é exactamente essa a missão (do ponto de vista empresarial, reparem bem no sublinhado) do CA da SAD.
Pudessem os “do contra” fazer o mesmo, fosse com Atletas ou qualquer coisa e … já seriam diferentes as suas “criticas”.                                           

A provar que não pretendo escapar a analisar alguns dos famigerados “casos” individuais do Nosso Plantel, solicito, desde já, a Vossa paciência para o próximo texto e escapo, isso sim, a exagerar ainda mais no comprimento do actual.

Viva o Benfica!