Por José Albuquerque
Eu quase nunca vejo o “trio de ataque ao Benfica”,
mas, ontem, como aguardava pela comunicação do Governador do Banco de Portugal,
fiquei “condenado” a assistir ao principio daquela porcaria e, por ingenuidade,
voltei a espantar-me com a ignorância do moderador (bem sei que se tratava de
um “suplente”) e dos 3 comentadores.
É inadmissível que gente que é paga para ser “líder
de opinião” não tenha o mínimo de exigência pessoal necessária para reproduzir,
sempre e só, informações corretas, especialmente num programa cujo titulo
poderia ser “exigimos explicações”.
Em já não sei quantos minutos de programa, quase só
ouvi disparates que não eram nem opiniões, não passando de informações cujo
erro podia ser, facilmente, evitado mediante uma rápida investigação. Se isto
já é grave no caso do andrupto e da osga, é-o e em dobro, no caso dos dois
jornaleiros.
Seja como for, aquele que citei como o titulo do
programa (pelo menos da parte a que fui obrigado a assistir) – “exigimos
explicações”, parece andar na boca e no espírito de grande parte dos
Benfiquistas; este texto tem por objectivo responder a essa alegada necessidade.
Ou eu fui beneficiado por uma inteligência ímpar, ou
as “dúvidas” alegadas por tantos Companheiros não têm qualquer fundamento, como
por exemplo:
1 “A Equipa não está a ser desbaratada?” – Não,
não está!
Todas as saídas de ex-Atletas fazem sentido, ou
porque os futebolistas rescindiram sem justa causa (mas ao abrigo do
Regulamento de Transferências, como no caso do Garay), ou porque foram “batidas
as cláusulas” (Markovic e oblak), ou porque seria de grave irracionalidade
económica e desportiva renovar o empréstimo (Siqueira e, talvez, ainda não
sabemos, Sílvio), ou porque foram de inteira justiça (e sem impacto desportivo
sério, como no caso do “Tacuara”), ou, finalmente, por ter sido adquirido um
outro Atleta considerado mais forte (como no caso do Djavan).
Mais ainda, na minha múltipla qualidade de Adepto,
Sócio, Investidor e Accionista, eu considero um erro crasso se for recusada uma
proposta de mais de 35ME pelo Gaitan, desde que ele ainda não tenha renovado o
seu contrato, ou seja, desde que ele esteja fora do respectivo período de
protecção, caso em que o Atleta teria (tal como Garay) o direito legal de o
denunciar mesmo sem justa causa e assinar por outro clube, ficando um eventual
desacordo de verbas para ser regulado pelo TAS em última instância. Acresce,
neste caso do Gaitan e seguindo precedentes como os do Javi, Di, Luiz ou,
agora, do Cardozo, que, na minha humilde opinião de defensor da previsibilidade
na Gestão, a SAD não deve “cortar as pernas” a um Atleta que já tenha servido o
Glorioso por mais de 3 anos.
Tal como, no caso do Enzo (que acaba de renovar,
pelo que o seu contrato está “protegido”) e desde que seja paga a cláusula de
rescisão, a Nossa SAD nada poderá fazer excepto desejar-lhe felicidades.
Esta Equipa que venceu a Tríplice e chegou ao 5º
lugar do ranking da UEFA, deu muito trabalho a construir e custou muito
dinheiro a manter e fazer evoluir. Ela constitui (mais) uma prova insofismável da
pujança económica do Nosso Clube e de muitos méritos da Nossa Direcção, da
equipa técnica e de toda a estrutura profissional que trabalha na Nossa SAD,
mas não pode constituir uma limitação para a futura Gestão da SAD ou do
Clube!
Por isso, por mais que muitos Benfiquistas não
queiram entender, o CA da Nossa SAD tem o dever de continuar a decidir
dentro da Lei e das melhores práticas de Gestão, sem se sentir condicionada
nem por nada, nem por ninguém!
Os que me conhecem sabem do meu profundo respeito e
admiração pelo Nosso Técnico, ao qual nunca regateei apoio, nem quando comete
erros.
Se o Senhor Jorge Jesus entender solicitar a
rescisão unilateral e sem justa causa do seu contrato porque “estão a sair
demasiados titulares” … pois muito boa viagem: que pague a indemnização
contratual e … seja muito feliz.
Obviamente, não foi assim que eu interpretei aquelas
declarações do Nosso Técnico, com o qual me solidarizo em absoluto perante o
imenso desafio profissional que as circunstancias lhe colocaram pela frente,
mas, muito sinceramente, espero que ele compreenda claramente quem é que, no
Nosso Clube, tem legitimidade democrática para tomar decisões estatutárias na
Nossa SAD.
1.a) “Mas o Presidente não consegue manter os
melhores Atletas”. “Aumentar as cláusulas?”.
Alguns Companheiros colocam este tipo de
interrogações, chegando ao ponto de dar “exemplos” cujos contornos desconhecem
(chacha e lula), pelo que nem de “exemplos” se tratam e eu gostaria de recordar
que qualquer negociação/renegociação contratual só é viável quando exprime o
acordo entre todas as partes envolvidas!
Se, aparentemente, só foi possível renovar o
contrato com o oblak (só estava “protegido” nesta época que findou) mediante
uma redução da cláusula de rescisão de 20 para 16ME (ou a promessa de entregar
20% dos 20ME ao futebolista), pode, ou não, criticar-se a decisão da SAD, mas não
se pode, nunca, afirmar que se devia ter “obrigado a que …”.
Não sabendo se o Gaitan já renovou, ou não, o seu
contrato, também não posso saber se o Atleta, além de ter exigido um salário de
X, também não exigiu uma redução da sua “cláusula”, tal como, aparentemente,
foi o caso do andrupto chacha.
Ficamos entendidos em relação a saídas da Equipa, ou
ainda restam algumas dúvidas?
Se subsistem, façam-me o favor de as explicitar na
caixa de comentários. Pode ser que eu possa ajudar ao vosso esclarecimento.
Concluído o tema das “saídas” (das já ocorridas e de
algumas ainda possíveis), falemos das “entradas” …
2. “As contratações não são, até agora, muito
pobres?” – É muito subjetivo e, pelo menos, discutível!
Num texto anterior e com a excepção do Felipe
(contratado a custo zero), eu já dei a minha humilde opinião: todas elas me
parecem muito boas contratações, desde que os salários negociados caibam dentro
dos orçamentos.
Além disso, também sublinhei que elas foram
oportunas (menos a do Eliseu, que só se tornou oportuna depois de a SAD
perceber que não ia conseguir contratar o Siqueira) e recordei que ainda temos
mais cerca de 25 dias de “janela de transferências”.
2.a) “Mas não podiam ser contratadas algumas
estrelas?”. Não sei, mas imagino que não, pelo menos até agora!
Não pode caber na cabeça de nenhum Companheiro que
esteja de boa fé, admitir que os mesmos que “descobriram tantas estrelas”, não
estejam, agora, convictos de ter contratado os melhores Atletas possíveis e/ou
não estejam a fazer o melhor que sabem e podem para contratar ainda mais alguns
futebolistas nessas exatas condições.
2.b) “Mas tu achas que estes Atletas vao dar
alguma coisa de jeito?” – Por acaso até acho!
Mas respeito opiniões diferentes, embora considere
que Nos falta, a todos, tempo para fazer “avaliações” fundamentadas (excepto no
caso do Felipe, ahahah e mesmo esse …).
E recordo os (tantos, tantos) exemplos que, no
passado recente, deram azo a algumas “criticas” que vieram a encher de ridículo
os seus Autores.
2.c) – “Mas não será a crise do BES a explicar
esta eventual falta de meios?” – Não, porra! Mil vezes NÃO!
Eu já expliquei (muitas vezes) os motivos pelos
quais o Nosso CA tinha, esta época, todas as condições para definir o
“orçamento ideal” para a época, baseado nas certezas das vendas de janeiro, nas
que se tornaram altamente previsíveis para este defeso e na confirmação do
sucesso da Nossa BTV. Tal como demonstrei que a crise no BES, por mais que
tenha surpreendido tudo e todos em nada de relevante interfere, a curto
prazo, na Gestão do Nosso Grupo, a menos que a Direcção assim o entenda e,
nesse caso, vai ter de justificar essa opção: o Grupo Benfica já não tem
nenhuma relação com o BES, tendo passado a ser um Cliente do chamado “Novo
Banco”.
2.d) – “Mas já não podemos criticar? Para onde
foi a Nossa raiz democrática?” – Claro de podemos!
Mas olhem que eu ainda não consegui ler uma critica
verdadeira, bem fundamentada e, ainda menos, indicadora de eventuais
alternativas: ou seja, ainda não li nenhuma critica … só lamechice e
criancices!
Eu também posso dizer que acho que o Governo deveria
diminuir os impostos e os gastos do Estado, aumentando o investimento na Saúde
e na Educação, além de aumentar os salários, as pensões e os subsídios, tudo
isto, obviamente, garantindo um aumento sustentado das exportações e do PIB, a,
no mínimo, 10% ao ano. E se escrever tudo isto, não estou a fazer nenhuma
critica, nem a contribuir com nada que não simples desejos (para mais, desejos
que sei serem impossíveis de concretizar); caso acuse o Primeiro Ministro de
incompetência por não conseguir esses resultados, então não só não estou a
fazer critica, como estou, isso sim, a fazer uma figura muito triste.
Por conseguinte, eu sugiro a todos a humildade de
reconhecer a incompetência relativamente a quem continua a trabalhar pelo Nosso
futuro colectivo, democrática e legitimamente mandatado para o efeito e com bons
resultados acumulados: obviamente, estou a referir-me ao Companheiro Vieira e
aos seus Colaboradores.
Isso e algum tempo, para vermos onde vão chegar
alguns destes novos Atletas, para ver quais ainda vão chegar, além de alguma
tolerância, quer para alguns erros pontuais e ultrapassáveis desses Atletas
(especialmente os que “nasceram” no Seixal), quer para os que, eventualmente, o
futuro comprove terem sido cometidos pela Nossa SAD.
Como exemplo destes (eventuais) últimos, basta
pensarem no imenso insucesso (e prejuízo económico) que o Barcelona teve quando
“trocou” o Eto’o e mais 55ME pelo Ibra.
Ultrapassados os temas das “saídas” e “entradas”,
convido os Leitores do GUACHOS a pensar no que é muito mais importante: o
melhor equilíbrio entre a estabilidade económica e financeira do Nosso Grupo e
a máxima competitividade possível de todas as Nossas Equipas e modalidades.
3. – “Mas o Benfica ainda tem restrições
económicas importantes?” – Sim, tem!
Desde que, há cerca de 8 meses, coincidentemente com
as “vendas” de janeiro, o CA da Nossa SAD decidiu abandonar o(s) projecto(s) de
reestruturação financeira (uma opção contrária ao que eu vinha defendendo há
quase 3 anos), que ficou comprometido a conseguir, sustentadamente,
obter Resultados de Exploração Anuais positivos, pelo menos até ter
reconstituído os Nossos Capitais Próprios, actualmente negativos.
Não estão em causa nem a crise do BES, nem a
(aparente) treta do Fair Play Financeiro, a primeira porque Nos não tocou e o
segundo porque a Nossa SAD respeita largamente os seus critérios.
O que está em causa é um imperativo legal de ter
Capitais Próprios contabilisticamente positivos e uma desejável e sustentada
redução da “factura bancária” de mais de 20ME anuais, um custo que tivemos de
pagar para fazer desenvolver e crescer o Grupo Benfica (sem ter Capitais
Próprios adequados) o mais rapidamente possível e apesar do POLVO que Nos
ROUBOU, quer em títulos, quer ao nível dos Nossos direitos de TV.
Claro que podemos continuar a discutir se a “melhor
prática de Gestão” para atingir resultados positivos passa por aumentar os
investimentos (na expectativa de ver ainda mais aumentados os proveitos), ou
por controlar os custos (na expectativa de não condicionar, desse modo, nem os
proveitos, nem os resultados desportivos. Mas discutir é uma coisa e … fazer
uma outra bem diferente.
Felizmente, a actual Equipa de Gestão que tem
liderado os Nossos interesses, tem um currículo que comprova méritos
incontestáveis: resultados desportivos crescentemente positivos, resultados
económicos absolutamente controlados, o melhor e maior parque desportivo
nacional e, especificamente no futebol profissional e nos rankings onde o POLVO
não consegue manipular, quintos classificados, com menos recursos do que os 25
clubes mais ricos.
Podem chamar-me Vieirista ou qualquer outra coisa!
Se me chamarem Vieirista, agradeço que me expliquem
o que querem dizer com tal “acusação”. Se me chamarem outra coisa, se me
ameaçarem, ou se me quiserem tentar ofender … ahahahahahahah.
Agora, se quiserem que eu os considere e debata
convosco os destinos do Nosso Clube, então tratem de contrariar os meus
argumentos, ou de apresentar outros melhores.
Finalmente, quem quiser “explicações” e estiver de
boa fé, basta esperar por 1 de setembro e, então sim, hão de ter todas as
necessárias, logo que o Presidente tenha concluído as prioridades que Nos
interessam.
Viva o Benfica!

