sábado, 21 de novembro de 2015

A Nossa “Fábrica”, de novo (I).

Por José Albuquerque

No final da mesma semana em que a Nossa Equipa sub21 (a Equipa B sem “reforços”) completou o terceiro desafio da fase inicial da International Premier League com a terceira vitória, em outros tantos encontros disputados, dando seguimento a mais um soberbo desempenho da Nossa Equipa sub19 na UEFA Youth Champions League, felizmente que dois dos Companheiros com presença mais pertinente na CS – o João Tomaz (JT) nos Nossos meios e o RGS na sua coluna publicada n’ “a bolha”, recolocaram o debate sobre o papel da “Fábrica” na Nossa Política Desportiva no que ao futebol profissional diz respeito, permitindo-me fugir daquele tema – a Comunicação, sobre o qual mais malta gosta de falar, mesmo sem perceber bolufas sobre o assunto.

É, assim, à boleia de ambos e a ambos reconhecido, que entendo oportuno regressar a este tema, tentando acrescentar alguma coisa ao que esses Companheiros Nos ofereceram para debate.
Mesmo recomendando a leitura de ambos, vou permitir-me fazer um contraponto livre sobre como os interpretei e, em síntese, considero que o texto do Nosso Vice Presidente, embora mais longo, se concentra numa só ideia – “Formar sim, mas a Vencer”, enquanto o habitual comentador da BTV foi um pouco mais longe (com alto sentido de tópica) e pretendeu colocar em questão o enquadramento económico do tal “Novo Paradigma”, dando relevo à questão da competitividade salarial e chegando a sugerir uma preferência de Política Desportiva que me parece ter apoio maioritário entre os Benfiquistas e que, por mero acaso, eu insisto em considerar pouco viável.
O JT faz a apologia do modelo “Seixal, sempre que possível, complementado com aquisições de reconhecido mérito e valor” e faz apelo a que o Nosso novo reequilíbrio económico, ao permitir pagar salários mais elevados, viabilize a permanência dos GG’s, Nelson Semedos e Renatos pelo maior número de anos possível e de Manto Sagrado vestido.

Descodifiquemos os limites dos modelos.

Sendo claros e objectivos, todo este debate tem de se estabelecer entre dois modelos limite:

1 – um primeiro que privilegia os resultados desportivos da Equipa de Honra e propõe que o impacto da Fábrica se concretize quer a nível económico (mais de 60M€ com a venda de 4 Atletas que muito pouco jogaram na Equipa), quer a nível desportivo (vidé Nelson Semedo e GG), se e só quando eles revelarem a competência para ganhar a titularidade a outros Atletas mais maduros que possam estar no Plantel ou ser adquiridos dentro do Nosso teto salarial; e

2 – um segundo limite que, pressupondo crescentes limitações financeiras (?) e uma quebra nos preços do mercado mundial de Atletas (?), privilegia a maturação do máximo possível dos melhores talentos formados na Fábrica, mesmo que tal agrave os riscos, a curto prazo, ao nível dos resultados desportivos, mas apostando nos médio e longo prazos e complementando esta aposta determinada com uma concentração da capacidade de investimento da SAD em Atletas com alguma craveira mundial.

Concretamente, creio não errar ao escrever que o Companheiro JT fez, neste seu último artigo em “O Benfica”, a apologia clara desta segunda opção, enquanto me pareceu que o Companheiro RGS demonstrou preferência pela primeira.
Ora sucede que, humildemente, eu creio que nenhum deles abordou esta grande escolha pelo cerne da questão, que passa pelas Nossas condicionantes económicas, pela (falta de) competividade dos salários líquidos que a SAD pode/quer pagar e, fundamentalmente, pela variável “Receitas UEFA/CL”.

Eu também sou sensível a todos os Companheiros que confessam que se estão marimbando para os meios, desde que o Benfica consolide a liderança que já conquistou/disputou nestes anos recentes, até porque o Benfica é um Clube e o seu Grupo Empresarial é um mero instrumento de suporte aos objectivos desportivos, ainda assim, creio que nem o mais fundamentalista desses Companheiros, sendo sérios, podem deixar de concordar que a rentabilidade económica do Grupo é uma restrição determinante nestas escolhas, muito para além das imposições do Fair Play Financeiro.

É nesse quadro que eu insisto que o objectivo da Nossa SAD tem de ser o de manter um Plantel com o maior nível de qualidade e competitividade possível, dentro do nível salarial determinado pelo equilíbrio económico do Grupo, tendo a Fábrica como um pilar essencial desse equilíbrio, seja pelo contributo económico por vendas de passes, seja pelo contributo desportivo directo e consequente menor necessidade de investimento em Atletas prospectados no mercado internacional. E só não escrevo que esse contributo da Fábrica deve ser indiferentemente optimizado, entre vendas e número de titulares, porque, obviamente e como todos, eu também gostaria de ver a Nossa Equipa cheia de profissionais formados no Seixal.

Resumindo e sempre na minha humilde opinião, a sequência de restrições é a seguinte:

equilíbrio económico à nível salarial à competitividade do Plantel

Era bom que deixássemos fora do debate falsas questões como, por exemplo, “temos, ou não, necessidade de vender”, porque o problema nem é esse, quando, muito antes desse, temos a consciência de que todos os Nossos Atletas mais brilhantes, sejam formados no Seixal ou não, vão receber propostas irresistíveis de alguns dos clubes que podem pagar salários líquidos superiores.
Foi por essa razão que saíram todas as Nossas “estrelas”, muitos dos quais preferiam continuar na Equipa, desde que a SAD igualasse essas propostas de remuneração. É por essa razão que casos como o Capitão, ou o Gaitán, só permaneceram no Plantel no limite daquela restrição salarial, por alguma sorte e pelas insuperáveis condições profissionais que o Benfica lhes coloca à disposição (a remuneração imaterial).
Basta recordar a quantidade de jovens que já fazem parte das selecções nacionais e que, a partir da Fábrica, foram alvo de propostas irresistíveis e saíram do Plantel, entre os quais o exemplo daquele que está nos andruptos é bem paradigmático.

A variável “Proveitos UEFA”.

Ora bem, esclarecido que ficou este ponto, não há como escamotear a importância determinante do contributo que as receitas UEFA têm no Nosso equilíbrio económico e, por via disso, no nível de competitividade a longo prazo da Equipa.
Ou seja, quando falamos em Resultados Desportivos, há uma alínea específica que tem uma importância muito diferente de todos os outros e assim vai continuar a ser no futuro, a menos que o Glorioso venha a integrar outra qualquer competição que lhe permitisse alternativas, como seria essa eventualidade de fusão entre a Liga NOS e a La Liga, ou aquela tão (por mim) sonhada Liga Europeia de Clubes.

Concretamente, num exercício económico em que vencêssemos todas as competições internas, mas não tivéssemos receitas UEFA, muitos Benfiquistas podiam ficar radiantes, mas eu ficaria aterrorizado e só o não ficaria mortalmente porque, ao menos, a conquista desse campeonato tinha garantido o acesso directo à CL da temporada seguinte.
Inversamente, num exercício económico em que não conquistássemos nem um só título interno, mas em que atingíssemos os “oitavos” da CL (valendo um mínimo de 30M€ em prémios UEFA), creio que todos faríamos um luto pesado, mas, desde que garantíssemos o acesso à CL seguinte, mesmo que indirectamente, saberíamos que não estava em causa a Nossa competitividade a longo prazo (a Nossa sustentabilidade, se preferirem).

Por outras palavras e recuperando aquela alternativa, sugerida pelo Companheiro JT, antes descrita no ponto 2, eu vou reescrevê-la com ligeiras alterações e, desse modo, definir a minha posição sobre este tema:

2(a) – uma terceira via que privilegia a maturação do máximo possível dos melhores talentos formados na Fábrica, desde  que tal não agrave os riscos, a curto prazo, ao nível dos resultados desportivos na UEFA, mas apostando nos médio e longo prazos e complementando esta aposta determinada com uma optimização da Nossa Prospecção externa. 

Porquê esta segunda alteração?
Muito simples: porque a via da concentração da capacidade de investimento da SAD em Atletas com alguma craveira mundial Nos coloca, imediatamente, em concorrência com clubes que lhes podem oferecer condições salariais muito superiores, pelo que ou os contratamos antes que esses os “descubram” ou só com ajuda divina os traremos e, depois, para os perdermos na época imediata (Ramires, Witsel, etc.), reduzindo o seu contributo desportivo e aumentando o risco de instabilidade no Plantel.

Ó Zé, esse teu discurso todo é muito bonito mas ... troca lá isso em números, para a malta ver se te percebemos.

Certo! Fica prometido para amanhã.

Viva o Benfica!  

4 comentários:

  1. Saudações Benfiquistas,muito bom artigo,diria excelente,mas se não houver vitórias internas a contestação dos adeptos será outra,eu por mim,este campeonato estou à vontade se perdermos mas no futuro uma conquista de dois em dois anos,para se aumentar o números de sócios e assinantes da BTV,que para mim é vital,pois a guerra com a SPORKTV ainda vai no adro.
    No global estou ciente que a SAD saberá o que fazer,senão não estaríamos na situação privilegiada que estamos,o Benfica é uma marca de top,Luís Filipe Vieira não dorme,de vez enquanto fecha os olhos mas isso é quando vê os jogos dos adversários :)
    Carrega J. Albuquerque
    Carrega Benfica

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  2. Excelente reflexão, como é habitual.

    Relativamente à falada Liga Ibérica, a minha opinião (já apresentada como comentário no Blogue do Papoila) é a seguinte - Sem patrocínios, tecnicamente falidos, corruptos e beneficiados do BES tentam, desesperadamente, alcançar uma bóia (as receitas televisivas espanholas) q lhes permita algum financiamento... a marioneta proença seria a pessoa indicada não fosse esta uma missão impossível... o q resultaria desta competição? 1 campeão ibérico? como podem os espanhóis aceitar um disparate destes? como podem eles aceitar q os os portugueses se intrometam na luta pelos lugares da Champions ou q sejam campeões ibéricos? só quem não os conheça pode acreditar nem tal disparate...

    Na década de 80 organizou-se um confronto a 2 mãos entre o Campeão Português (o Benfica) e o Campeão de Espanha (o Bilbau) - como levaram 1 verdadeiro "banho de bola" do Benfica de Eriksson nunca + se falou em tal competição...

    Naturalmente, a tão ambicionada Liga Europeia, seria outra conversa...

    Qt à politica de investimento no plantel principal adiciono outro factor mt importante - a prospecção de talentos. Neste aspecto estamos mt à frente, quer nas camadas jovens quer nos "velhos"... temos assim, a felicidade de ver crescer, par a par, jogadores como GGuedes, NSemedo, RSanches, Talisca, Luisão, Eliseu, JCésar e Jonas...

    Termino falando da excelente exibição dos B no jogo de ontem - Temos + 2 jogadores q vão ser, seguramente, grandes jogadores, aqui ou na China... refiro-me ao Pawel (já internacional A pela Polónia - alô jornaleirada medíocre...) e ao DGonçalves... Temos tb vários outros jogadores c/ enorme potencial - Berto, Listkov, JNunes, Alfaiate, Rebocho, JCarvalho, Gilsson e Dino... é muita gente...

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    1. Enorme Francisco, Companheiro,

      Integralmente de acordo contigo quanto aos motivos que levaram o "cabeça d'unto" a Madrid em nome da tal Liga Ibérica, eu até considero que ele foi a mando do D. Cor(no)leone, uma vez que são os andruptos que estão com um insustentável desequilíbrio nas contas e que seriam os maiores beneficiados com esse projeto (a osgalhada consegue equilibrar o bote, desde que entre na CL).

      Já não sei é se, em caso de independência da Catalunha, esse projeto não terá todas as condições para ser uma realidade e deixa que te diga que, mesmo não sendo os mais beneficiados, eu considero que a entrada do Glorioso nessa competição resultaria num imenso salto qualitativo que Nos colocaria, definitivamente, entre os 20 clubes mais ricos da Europa.

      Quanto ao Pawel, ao menos desta vez eu acertei em cheio, porque previ para ele um sucesso ao nível do Matic. Espantado andei eu, toda a época passada, por não o ver a afirmar-se imediatamente na Nossa Equipa B.

      Os resultados desportivos dos Nossos escalões jovens só merecem uma palavra: FABULOSOS, sobretudo se verificarmos a quantidade de Atletas que "perdemos", sejam os 4 que foram vendidos (60M€, é bom recordar), sejam outros que Nos escaparam por entre os dedos e sem quase nenhum resultado económico.

      Viva o Benfica!
      (José Albuquerque)

      P.S.: e o Real a levar um baile do Barça ... que tal?

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  3. E o Liverpool a dar uma grande coça de bola ao City,que grande treinador e motivador é este Jurgen Klopp!!!!

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Se pertenceres aos adoradores do putedo e da corrupção não vale a pena perderes tempo...faz-te à vida malandro.