O segundo recado - "Neste momento tinha vontade de não fazer jogar mais alguns, mas são ativos" - além de Rui Costa foi sobretudo destinado (assim o entendi) a António Silva. É muito doloroso olhar para o António que, pela mão de Roger Schmidt, debutou no estádio do Bessa com apenas 18 anos, cheio de vigor, vontade de vencer e forte personalidade (cagou para João Pinheiro que lhe exibiu o amarelo aos 7mts) e só ver a sua sombra. Do centralão de 18 anos que, em Turim frente à Juventus, de dedo em riste, meteu o capitão Bonucci na linha - nem a sombra! Ontem foi penoso olhar para o António. Sem alegria, sem personalidade, sem um passe de rotura, sem um lampejo, conformado, sem vontade de comer...nada. A forma displicente como entregou a bola ao adversário para o golo do empate (é verdade que foi o último a falhar) diz muito do seu estado de espirito. Este António Silva parece ter voltado ao recreio da escola.
Mourinho deixou também os já habituais recados aos árbitros. Para não variar, passaram em claro. Falou dos empates devido a factores externos sem carregar muito na tecla. A verdade é que os factores externos estiveram bem presentes em Rio Maior. Há um corte com o braço (bem aberto) dentro da área do Casa Pia (o penalti nem foi ao VAR) e o guarda redes do Casa Pia cometeu grande penalidade sobre António Silva com uma cotovelada na nuca antes de afastar a bola para longe. A VAR tinha ido cag@r e o árbitro, como acontece nestes casos, assinalou falta ao Benfica. Recordo-me de um jogo do Benfica, na Champions frente ao Salzburgo (António Silva foi expulso aos 13 mts), em que o árbitro assinalou penalti de Trubin por um lance tirado a papel químico. Mais tarde, quase a acabar a partida, o árbitro voltou a assinalar falta (Anísio Cabral) ao Benfica, numa disputa de normal, quando a bola foi cortada pelo braço do defesa da casa. Momentos antes, o mesmo Anísio falhou um golo cantado em que a bola foi fragrantemente desviada para canto. Prontamente, o árbitro assinalou pontapé de baliza. Helder Carvalho foi rijo. Mostrou um cartão amarelo ao guarda-redes aos 84 mts de jogo.
Para terminar os recados, José Mourinho lançou definitivamente a toalha ao tapete. "Perdemos as últimas possibilidades que teríamos de lutar pelo título, houve displicência e o segundo lugar já não depende do Benfica". A capitulação quando ainda existem 18 pontos em disputa diz muito do que o treinador do Benfica pensa de si próprio, do futebol português, mas sobretudo da incapacidade do Benfica para mudar o rumo dos factores externos que o enterram cada vez mais fundo. Eu digo a Mourinho que é apenas matemática. Na verdade, esta classificação (eu ainda acho que os sapos vão ultrapassar o foculporto) está sentenciada desde o primeiro jogo do campeonato.
Os cientistas do treino, verdadeiros exigentes que fizeram a vida num inferno a Roger Schmidt (ganhou por sorte, diziam) já direcionaram toda a artilharia pesada para o actual treinador do Benfica. Se o «cabrão do alemão» que não falava português, não estudava os adversários nem ministrava treinos por sectores, José Mourinho, julgando-o apenas pelos resultados, deve passar os dias (e as noites) no Seixal a cuidar da manicure. Se da língua não é só pode ser por não estudar os adversários ou por não fazer treinos por sectores.
O problema do Benfica nunca foi de treinadores e muito menos de presidentes ou de jogadores. Ninguém, mesmo vencendo campeonatos, troféus e taças, preenche os sonhos húmidos dos verdadeiros exigentes. Vieira foi excomungado, Rui Vitória escorraçado, Jorge Jesus obliterado, Schmidt era todos os dias achincalhado, João Mário foi estilhaçado, Darwin nem para a equipa b, Gonçalo Ramos era tosco, Di Maria era uma desgraça, Pavlidis nem de borla, Prestianni e Schjelderup eram para despachar a qualquer preço, Otamendi já nasceu velho, Ríos serve-lhes de cagadeira, Rafa voltou a ser um problema...Tudo é um problema no Benfica. Eu, no lugar de José Mourinho, punha-me na alheta sem um segundo de hesitação. E nem precisava do conselho amigo de Jorge Mendes. Eu, no lugar de Rui Costa, ou mudava completamente de comportamento ou despedia José Mourinho na hora. E nem precisava de conselho para isso.
O lance do golo do Casa Pia (fabricado com quatro passes de jogadores do Benfica para os adversários) que nem nos iniciados se admite, mostrou ao mundo como é muito fácil abrir o estreito de Ormuz. A melhor notícia que o Benfica pode ter (para mim é de certeza absoluta) é a Juventus ou Fenerbahçe contratarem rapidamente Bernardo Silva. Ficamos livres de mais um camião TIR de problemas.
Em primeiro os parabéns porque continuarmos sem derrotas no campeonato, depois continuamos com o título da equipa que mais golos sofre ao primeiro remate do adversário á baliza, alguém se lembra quantos golos tem o Pavlidis só de encostar a bola, o chamado golo á ponta de lança? Rafa foi uma desgraça em todos os ângulos mas calma que está direção sabe o que está a fazer, solução para isto ? Mais do mesmo, vamos atirar dinheiro para cima do problema. Enfim pró ano é que é.
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