terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Coisas que o comum dos mortais não vê!

Boneco Ceição: "Pela forma como entrávamos na equipa do Sporting, achei dos jogos mais fáceis. Parece um contrassenso estar a dizer isto porque perdemos, mas foi aquilo que senti como treinador. Vi coisas que, com certeza, o comum dos mortais não vê."

Estive a ver o confronto entre dois dos melhores treinadores do universo O pai do Xico «na mira de Barcelona e Manchester United» e o campeão das conferências de imprensa que concentra em si o interesse dos restantes tubarões europeus. Se, no relvado, o foculporto foi completamente amarfanhado pelos sapos (não fora o Ferrari Almeida o amasso podia ter tomado contornos épicos), nos bancos houve uma espécie de empate técnico. Ao grande plano estratégico do pai do Xico - defesa em linha a defender na linha do meio campo e Pepe a marcar em cima o mais rápido avançado dos sapos - contrapôs Amorim com bola lançada nos 50 metros livres de embaraços e toda a fé do mundo no Gyokeres. Pode parecer, a avaliar pelo resultado, que o Rúben venceu o duelo, mas não. Quando o extraordinário Pepe foi expulso - constantemente humilhado por Gyokeres o arruaceiro não resistiu à vontade de espetar um murro no primeiro grunho (e que grunho!) que lhe aparecesse - a rapidez (23 minutos) com que o Sérgio operou a substituição que se impunha, demonstra toda a sua argúcia - "vi coisas que, com certeza, o comum dos mortais não vê" - para o métier! Apostar em Zé Pedro a marcar o sueco fazendo recuar o único médio que dava alguma luta aos sapos foi de génio! Aqui, há que reconhecer, o pai do Xico deu água pela barba a Amorim. 

Como Rúben Amorim, esperto como um alho, delegou no soldado raso Viana as despesas da arruaça, mantendo-se exemplarmente afastado das confusões, neste particular (no controle das emoções) quem esteve ao mais alto nivel foi o boi. De cascos aguçados partiu para cima do acobardado Almeida (é preciso ter lata depois de todas as prendas que o Ferrari lhe deu) como se não houvesse amanhã. E não há. Diz o desembestado sujeito que em Maio é que se fazem as contas. A avaliar pelos sorteios da Champions e da Taça de Portugal (atenção ao Estoril), pela eliminação da taça da liga e pelo que ontem se viu, as dele ameaçam encerrar-se no início de Março.

De duas coisas, vá lá, três ou quatro, eu tenho a certeza. Que a derrota do foculporto acentuou ainda mais a crise do Benfica, que o boi do Jamor quando perde nunca deixará de raspar os cascos, que se o Rafa não tivesse falhado tantos golos o clube da fruta regressaria vergado por uma humilhação épica ao covil de Contumil, e, que, aquelas duplas substituições dos treinadores, aos 85 minutos, foram duas demonstrações de leitura de jogo do melhor que esta liga já pariu. Se mais não trouxessem de novo ao embate - e tanta riqueza táctica lhe acrescentaram! -, valeram pelo timing perfeito das entradas e pela genialidade dos dois mestres da estratégia! Uns minutos mais cedo não acrescentariam coisa alguma à partida. Dois ou três minutos mais tarde não serviriam para coisa nenhuma. 

Da avaliação individual que fiz aos jogadores (sim, é verdade, às vezes também gosto de me armar em especialista da especialidade) tenho de destacar, pela negativa, o desperdício de Rafa (incrível como o irrequieto avançado desbaratou a maioria das oportunidades criadas!) mas quem me encheu as medidas foi o melhor Diogo Costa em campo! Por mim foi o arruaceiro Pepe no Céu e o fabuloso Diogo no relvado. Das quatro batatas (duas mal descascadas pelos árbitros) encaixadas o realce recai no primeiro golo dos sapos. Encostado ao poste (primeiro poste em linguagem de catedrático) Diogo seguiu, com os olhos, o remate de Gyokeres como nenhum outro keeper no mundo. E se culpas a MDCSDQT pudesse assacar a alguém, Trubin, do outro lado da segunda circular, não teria ido dormir descansado.

Zé Pedro, por outro lado, é um achado! É incrível a capacidade do Ceição em transformar paus de vassoura em Eustáquios e Otávios! Evanílson e Pepê caem como ninguém, mas quem me encheu as medidas foi o compromisso e o arreganho de Taremi. Não conseguiu mergulhar dentro da área dos sapos (o foculporto raramente lá chegou) mas, aquele bater de palmas na fronha do árbitro e a cotovelada (para cartão vermelho) no rosto de Gonçalo Inácio, só por si, já merecem destaque. Foi sempre um perigo à solta para o Ferrari Almeida e, no confronto com Gyokeres, só perdeu porque entretanto, aos 84 mts, o pai do Xico sacou da cartola Fran Navarro. O Xico filho (15 mts mais os descontos) esteve à altura da família. Aplicou um coice num adversário (safou-se com o cartão amarelo), pegou-se com a maioria dos sapos e talvez tenha escarrado (não juro porque não vi) umas dez vezes no relvado. Pelo menos foi-se embora aliviado.

Fez bem o velho peidoso em acompanhar o grupo excursionista até 4,6 km do inimigo. Entrou no alvalixo com a penca partida e os dois olhos inchados, saiu mais amarrotado mas seguro do excelente trabalho que tem feito. O falido, Bítor Baía também não tem dúvidas: Pinto da Costa «está óptimo, com um sentido de (traque) humor apuradíssimo». Para o face rat Billas-Boas esta derrota soube-lhe a dióspiros. 

16 comentários:

  1. Então ontem a expulsão foi justa ou não? Contra o Benfica é sempre injusta .. e o FRANGO do Diogo nada? Foi só mérito do Gyökeres? Futebol de luxo e espetacular dos viscondes, bola trocada entre central e lateral e mete na frente que o gajo corre, se fosse o Roger era criticado por ser básico mas o Amorim é um gênio. Gyökeresnarca muito em casa fora é mais difícil com aquelas defesas recuadas que teimam em não dar espaço. Contra 11 não ganham a ninguém, não é assim que eles dizem .....

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  2. Nem mais!
    Falando em sarrafada, tal como ao filho do pai do xico, tomei especial atenção (apesar de ter visto o jogo aos bochechos) ao empurrandé dos frustrados; que calminho que o moço andou...
    E por falar em docilidades: tão fofinho que anda o vira lata grrrrronçalves...
    Preferia o empate mas, confesso que sabendo que algum (ou ambos) iria perder pontos, foi dos jogos com mais tempo útil de televisão que vi ultimamente!

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  3. Caro Consócio Guachos,

    Releve-me a observação, mas como "especialista da especialidade", deixa os seus créditos por mãos alheias ! Vale uma aposta ?

    A NOTA a retirar da noite de ontem (e que o Caro consócio não perscrutou), tem que ver com esta evidência: então não é que é possível (e vale) ganhar clássicos a jogar contra 10 ?

    Verá como nos próximos dias nos explicarão (tim tim por tim tim) que de facto se podem ganhar clássicos contra 10....

    Um forte abraço e saudações gloriosas

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  4. Eu farto-me de rir com estes posts, sempre com uma fina ironia. Hoje no entanto não consigo acompanhar a 100% porque não vejo jogos dos rivais. Tenho que preservar o meu coração das atoardas que ouço e às vezes vejo. Mas fora o jogo, o resto do post é fantástico. Também eu quando vi o 1 golo pensei no que se diria se fosse o Trubin.

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  5. Eu, de outra coisa tenho certeza: O Pepe, contra outra equipa, jamais seria expulso. Era, quanto muito, amarelo para cada um, com o aplauso generalizado dos comentadeiros e avençados. Sublinhar-se-ia a provocação do favelado lagarto e a medida salomónica do ferrari vermelho. Os comentadeiros jurariam que Pepe não viu o outro e que a reacção foi natural. Contra o Gil Vicente quase que partia a tíbia a um adversário, na cara do árbitro, e nem amarelo foi.
    Sim, concordo, Trubin claramente mal batido no primeiro golo dos lagartos.

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    1. Devante, e até concordo que amarelo para os dois seria uma decisão correta para o lance, visto que Pepe reage (de forma agressiva, sim) a provocação de Reis.
      Mas o Ferrari borrou-se de medo porque… seria o 2o amarelo para Pepe.
      Valeu que o VAR chamou a atenção, para punir a agressão de forma isolada (ação correta do VAR, dado não ter havido qualquer ação disciplinar pelo árbitro do relvado).

      Na verdade, quem acabou beneficiado nesse lance… foi o Sporting. Matheus Reis, useiro e vezeiro em atitudes porcalhotas, safou-se sem amarelo.

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  6. Caro GV,

    mais uma tese de mestrado de alto nível mas apenas lhe posso dar 16 valores/20! E com a sua compressão e paciência, lhe digo e "chamo à atenção":
    na sua (brilhante ) tese não mencionar uma única vez o nome do Jogador Revelação da época passada - o Tó Silva, por "má disposição", não pode entrar nestas contas - é indesculpável.....então e o Iván Jaime?? O craque ex-Gil Vicente, o melhor jovem do mundo e arredores!! Lamentável, Caro GV, lamentável.

    #UmSLBnaInvicta

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    1. Peço desculpa - correção: ex-famalicão.

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  7. O FDP do Ceição a fazer-se uma grande vítima pq jogou 60 minutos contra o SLB com 10. O que o fdp devia dizer é que jogou com 10 mas devia ter acabado com 9 pq nós não nos esquecemos da patada do José Pedro ao João Neves. E já não contamos com os cartões que os taremis deviam ter levado pelos mergulhos que dão. Se os arbitros tivessem tomates para mostrar cartões nestas ocasiões, o clube da putas acabava todos os jogos sem jogadores, perdão sem taremis.

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  8. Caro Guachos, a bem da verdade, pese embora me ser indiferente quem ganha os confrontos entre dragartos, tenho de dizer que os sapos foram gamados a bom gamar. O ferrari muito tentou equilibrar o jogo, mas os de Contumil são tão fraquinhos que aquilo não deu para mais...
    Pepe, continua a demonstrar a justeza de envergar a camisola das quinas. Um senhor, dentro e fora dos relvados.
    PS: Ontem, por acaso, vi um bocado da canalhadas TV já perto da meia noite. Falava o "VAR" do canal. A intervenção do Marco Pina inenarrável a todos os níveis. Á revelia da opinião da maioria de opinadores de arbitragem, indignou-se com a amostragem de amarelo ao central do Braga, que, segundo ele, deveria ser mostrado ao Musa por entrada negligente. Fiquei a pensar com os meus botões, como é difícil estar tranquilo nesta vida, quando noutros programas somos acusados de sermos benfiquistas, para mais sendo antigo árbitro... ao ponto de entrar em negação sobre um tema que até o mais encardido lagarto e fruteiro assumiu como correta a decisão de Luís Godinho (para mim, arbitragem meritória pese embora um ou outro erro). Lamentável esta intervenção.

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  9. Va la que aquele primeiro golo do Zbording ao melhor diogo dos arredores e do mundo se fosse ao Trubin dava pano para mangas ate pra la do natal, vi o jogo coisa rara porque nao vejo jogos dessas equipas porque a electricidade esta tao cara e logo vendo esse jogo e dinheiro deitado ao lixo, mas ontem abri uma excessao e vi o jogo por tanto dinheiro deitado fora, mas vi coisas que gostei o GioEusebio e de facto um grande jogador muito possante rapido nao se pode dar espaços, mas como aqui ja foi dito com equipas que se fecham ele desaparece do jogo, na Luz aquele golo que ele marcou ao nosso Trubin teve uma fugida pela direita e atirou ca um tiraço que a mdcsdqt ia trucidando o nosso jovem guarda redes que foi um golo consentido yes contra nos foi frango yes contra o fcp foi um grande golo ate acho que com o meu netinho na baliza apanhava aquela bola tao frouxa que ela seguia para a baliza na ocasiao pensei logo isto foi frango assado e tudo em lume brando, mas como os comentadores nada disseram pensei que tivesse visto mal.
    Do arruaceiro pepe de facto foi empurrado e atirou aquela bofetada violenta e rua, mas senti-me injustiçado revoltado com o pobre do Taarbt ficou sem dois dentes e o arruaceiro continuou em campo e ainda o boneco veio falar que jogou 2 horas com menos um jogador contra os rivais, aquela gente nao tem mesmo cerebro ou se o tem entao nao tem vergonha na cara.

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  10. Tenho uma prima que me perguntou recentemente se o Anatoliy Trubin era Russo. Disse que não, que era Ucraniano. A seguir perguntou-me porque é o Diogo Costa era considerado "unanimemente" pela MDCSDQT como o melhor guarda-redes do mundo? Respondi ser devido à interpretação da própria. — Como assim? Perguntou a minha Prima. E eu exemplifiquei.
    — Prima, quando um cumpre, é porque foi pai de família e não fez (pouco) mais do que o seu dever, pois só por sorte a sua prole apesar de escorraçada, acabou triunfante. Quando outro "falha", falha a coragem, a ética, a verdade, falham os valores que nos fazem diferir dos animais.

    — A sério? (questionou e interrogando a minha Prima em simultâneo).

    — É verdade Prima, nem no tempo do fascismo existiu tanto jornalista falso e cobarde como presentemente

    — E o que têm a ver o facto, de um ser Português e outro Ucraniano? Isso acaba por ser quase a mesma coisa que se a minha Avó tivesse colhões, passava a ser o meu Avô.

    — Lá está Prima, a única coisa que consegue ser igual, é meteres dois dedos no cu e virem a cheirar (ambos) a merda.


    Conversas do Éter Encarnado

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  11. O Inferno da Luz, segundo Mozer.
    "É preciso sair do país para enxergar o prestigio e o tamanhão do Benfica em todo o mundo. Estive três anos em França, no Marselha, joguei num estádio fantástico, o Vélodrome, convivi com grande jogadores como Papin e Waddle, mas o Benfica estará sempre no meu pensamento. Os meus companheiros de equipa não percebiam muito o meu entusiasmo pelo clube, já que sabiam pouco do futebol português, embora reconhecendo o tremendo historial do Benfica.
    Durante os primeiros tempos tive de aturar os comentários de Papin, logo desde o inicio, sempre que jogávamos em casa. Uns dias antes de cada jogo, o Papin chegava para mim e me dizia: “Mozer, vais ver o que é um estádio cheio e um ambiente terrível.” Terrível para os outros. Não sei se o Papin dizia isso para me intimidar, já que era novo no clube e não percebia muito daquela conversa. Mas para mim, sempre pensava: “Este cara precisava de jogar no Maracanâ ou no estádio da Luz, cheios. ” Era o que eu pensava.
    Até que, na Taça dos Campeões, nas meias-finais, o Benfica calhou no caminho do Marselha. Fiquei, ao início, desgostoso, porque ia defrontar o meu Benfica, o clube que os meus companheiros sabiam que eu adorava. Me lembro de Sauzée, o meu zagueiro do lado me ter perguntado: “Você vai estar em condições de jogar contra o Benfica? ”Aí, senti que beliscavam o meu profissionalismo. Nos dois jogos joguei a duzentos por cento. Depois do primeiro jogo, em Marselha, uns dias antes de jogarmos na Luz, virei para o Papin e lhe perguntei: ”Papin, você quer mesmo ver o que é um estádio cheio, com 120 mil a gritar todos para o mesmo lado? ”. Engraçada a reacção do Papin: “Você, está querendo me meter medo, Mozer?”. Não estava não e por isso lhe disse para esperar para ver. E já agora, tremer.
    Pois bem, chegou o dia, chegámos no estádio da Luz e fomos logo indo para os balneários. Muitos risos, muita convicção de que íamos jogar a final da Copa dos Campeões. Lembro até que Tapie disse aos jornalistas franceses que lhe podiam chamar de Bernardette se o Marselha perdesse a eliminatória. Antes de subirmos ao relvado, para o aquecimento, Papin ainda troçou de mim, dizendo que estava já “tremendo de medo”. E ria-se bastante. Os jogadores foram saindo do balneário e eu atrasei um pouco, porque estava colocando uma ligadura no tornozelo. Quando cheguei perto do túnel de acesso ao estádio, começo a ver os meus companheiros, completamente assustados e todos do lado de dentro, não querendo entrar. Só depois percebi que, nessa altura o Eusébio foi chamado ao relvado para receber uma homenagem e foi aí que o estádio quase vinha abaixo. Logo no momento em que os meus companheiros do Marselha se preparavam para entrar. Claro que voltaram atrás assustados e me perguntado: “O que era aquilo?”. Aquilo respondi eu, é o INFERNO DA LUZ.
    Aí todos me começaram a me dizer para ser eu o primeiro a avançar, subi as escadas, entrei no relvado, não fui mal recebido e quando olhei para trás, estava sozinho. Espreitando, à saída da escadaria estavam alguns dos meus companheiros do Marselha, ainda com um olhar de medo e só nessa altura começaram a entrar. No regresso às cabinas, perguntei a Papin: “Já sabes agora o que é um estádio cheio e um grande ambiente?” A resposta, nunca mais a esqueci: “Mozer, nunca vi uma coisa destas. Tudo isto é incrível. Sempre tiveste razão, o Benfica é enorme!”. Naquela noite, o Marselha perdeu, fiquei triste mas senti orgulho pelo Benfica. E já agora, naquele balneário, fui o único a ter uma vitória. Foi uma vitória moral, sobre aqueles que não acreditavam na grandeza do Benfica."

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  12. Guachos

    Não te zangues comigo, mas tu só podes ser filho do sarcasmo😃, só podes! Porra, isto é genial.
    Um abraço 🦅

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  13. Pois o que mais gostei de ver foi o novo capachito do Cei¢ao ...não quis ficar atrás do Vagandas...
    giro , visto de frente o recorte daquele pentelhame parece um M , muito a condizer com o conteúdo !

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  14. Brutal Guachos, sem dó nem piedade....ja mereces ir pro mural da 2ª circular.

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Se pertenceres aos adoradores do putedo e da corrupção não percas tempo...faz-te à vida malandro. Sapos e verdadeiros trauliteiros, o curral é na porta seguinte.