
Desilusão, desilusão, desilusão. Eu não me lembro de me sentir tão desconsolado desde os tempos de Jesualdo Ferreira. E não me recordo de um avançado (Diego Sousa) me dizer tão poucochinho desde que Hassan Nader e Martin Pringle tiveram a desdita de vestir a camisola do Benfica! Bruno Lage; «quando sentir que não sou solução e que a qualidade de trabalho não é a mesma, não se preocupem. Está aqui uma pessoa empenhada e dedicada, mas quando sentir que a evolução não é a pretendida, não há qualquer problema». Nove jogos - foculporto, Famalicão, Braga, Donestk, Gil Vicente, Donetsk, Moreirense, Setúbal e Tondela. Donestk à parte - que saiu directamente da pré-época para disputar dois jogos com o Benfica - estamos a falar de uma vitória muito sofrida com o Gil Vicente, uma derrota (sim, fomos miseravelmente roubados) com o clube da fruta, três pontos infantilmente desperdiçados na Luz com o Braga, um empate ridiculo em Setúbal e, em casa, com o Moreirense (deplorável) e o (desconsolado) Tondela da ultima jornada.
Antes desta série paupérrima ganhamos em casa 3-2 de aflitos (95 mts) ao Famalicão e, de credo na boca, ao Belenenses pelo mesmo resultado. Estamos a falar do futebol profissional do Benfica, porra! De uma equipa constituída por jogadores de alto rendimento que são cobiçados pelas melhores ligas europeias! Não é a equipa b a evoluir nem jovens jogadores que precisam crescer com os (maus) resultados. Um jogador do Benfica paga os planteis do Moreirense e V. Setúbal e ainda sobram uns trocos para emprestar ao Tondela!
Eu não me vou pôr aqui a discutir opções tácticas, que não percebo nada, mas como adepto nunca conseguirei compreender como é que se abdica de um jogador esclarecido como Weigl trocando-o por um tronco desajeitado como o Diego Sousa. Horroriza-me esta tendência suicida do Benfica para se juntar à imprensa a destruir jogadores. RDT mostrou ser dez vezes melhor jogador que o Diego Sousa! Saiu como um pixote sem jeito! Weigl vai pelo mesmo caminho! Florentino desapareceu das opções! E ninguém parece importar-se com isso!
Como adepto de futebol eu sempre tive gostos muito simples. Aprecio de sobremaneira jogadores elegantes, bons de bola, inteligentes...e detesto os treinadores que embirrem com eles. Abomino o futebol arruaceiro de José Mourinho, por muito ganhador que já tenha sido, 'odeio' Simeone pelos grandíssimos jogadores que 'destruiu' a carreira e não tenho um pingo de admiração pelos grunhidos do boneco Conceição. Gosto do futebol de pé para pé, aprecio cavalheiros como é indiscutivelmente Bruno Lage, mas morro de tédio de um jogo que não se mostra capaz de superar o futebolzinho curto de equipas que lhe são declaradamente inferiores.
O que é que o adepto espera ver depois de o nosso inimigo (sim, o foculporto é nosso inimigo e enquanto tivermos uma postura de anjinhos em campo vamos continuar a somar frustrações) falhar rotundamente em Famalicão? Uma entrada a todo o gás a abafar o adversário, encostando-o às cordas, demonstrando que os treinos intensos (e as mordomias que mais ninguém tem) do Seixal não servem apenas para fazer encher capas de jornais! A equipa não tem pedalada para manter um ritmo elevado? Que descansasse com a bola depois de fazer (pelo menos tentava, porra!) o resultado. Assobiada por jogar em contenção é que não iria ser.
Anjinhos, mil vezes anjinhos! Perto do final da primeira parte, pastosa e jogada em ritmo de treino, Gabriel fica no chão a contorcer-se e o Tondela, bem, atira a bola pela linha lateral. Ainda do nosso meio campo, um jogador do Benfica (não me recordo quem) devolve a bola ao Tondela, chutando-a com força suficiente para chegar às mãos do guarda-redes. Cláudio Ramos agradece a benesse, gastando mais um minuto a recrear-se com ela. Uma coisa é ser gentil e devolver a bola ao adversário (nem eu admitiria outra postura num jogador do Benfica) outra é ser anjinho, para não lhe chamar algo bem pior. Falta ratice a esta equipa do Benfica, falta matreirice, falta estaleca, falta exigência, falta perceber os terrenos que pisa e o campeonato onde está inserida. Não se vai para uma guerra com fisgas. Não se veste o fato de gala quando o metier apenas pede calças de ganga, um arregaçar de mangas e muita vontade de ganhar!
Falta ao Benfica parar e pensar. Esta hemorragia não pode continuar. Eu olho para esta equipa e vejo-a com um grupo de alegres (tristes na realidade) excursionistas. Sem chispa, sem liderança, sem um capitão à altura da história do Benfica, amorfa, resignada. Uma tristeza sem fim. Pode-se não ganhar e não jogar um caracol, que as coisas nem sempre correm bem. Não se pode perder a alma! E este Benfica não tem alma. Já se passaram decadas sem eu me sentir tão desconsolado como nestes últimos meses. Sem um pingo de esperança. Bruno Lage disse antes do jogo que "um estádio tão bonito sem adeptos é quase como faltar a alma do que é o Benfica". Se eu não soubesse que o Bruno viveu intensamente os últimos 11 jogos, eu diria que emigrou para Marte nos últimos dois meses e meio em busca da alma do Benfica! O que me aterra é pensar que tenha regressado vazio de ideias e de mãos a abanar!
O ataque terrorista de ontem à noite resulta muito de um país que olha com bonomia para as declarações do director da PJ, que se desfaz em elogios públicos a um delinquente informático, e da MDCSDQT capaz de transformar um criminoso assumido, o macaco madureira, numa estrela mediática! Quem olha para a sentença dos atentados de Alcochete e quem aceita como natural ver um miúdo (Bruno Simões) de vinte anos com o rosto destruído por uma pedra arremessada (sem consequências para os atacantes) na auto-estrada, não pode estranhar o que aconteceu ao autocarro do Benfica! Weigl e Zivkovic foram parar ao hospital! Já hoje as casas de alguns jogadores foram grafitadas com ameaças. Quem segue o processo das eleições do Benfica, as ameaças veladas e os consertados ataques ao actual presidente, fica mais perto de entender alguns comportamentos. Com os maus resultados promete piorar. Vieira não é o Benfica. O ódio que alguns lhe professam não chega para justificar tanta canalhice! É algo bem planeado e é bom que entendamos isso.